{"id":28364,"date":"2016-12-01T12:37:24","date_gmt":"2016-12-01T15:37:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lorena.sp.gov.br\/wordpress\/?p=28364"},"modified":"2016-12-01T12:37:48","modified_gmt":"2016-12-01T15:37:48","slug":"o-outro-lado-do-politico-arnolfo-azevedo-musico-e-poeta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.lorena.sp.gov.br\/wordpress\/index.php\/2016\/12\/01\/o-outro-lado-do-politico-arnolfo-azevedo-musico-e-poeta\/","title":{"rendered":"O Outro lado do Pol\u00edtico Arnolfo Azevedo &#8211; M\u00fasico e Poeta"},"content":{"rendered":"<p>O outro lado do Pol\u00edtico.<br \/>\n\u00c9 como didin\u00e2mico Prefeito e atuante parlamentar que a mem\u00f3ria de Arnolfo Azevedo \u00e9 sempre lembrada e reverenciada.<br \/>\nTocava piano, embora de ouvido, fazia versos, escrevia contos e compunha musicas.<br \/>\nAos 13 anos de idade, quando ainda crian\u00e7a come\u00e7ou a compor uma Polca, da qual ele pr\u00f3prio vendeu dois exemplares a 1.000$000 (hum mil reis) cada uma.<br \/>\nApaixonado que era pela musica, mais tarde escreveu &#8220;Tr\u00eas M amo no mundo: mo\u00e7as, musicas e &#8230; mam\u00e3e&#8221;. Sonhava com um piano.<br \/>\nEm 1884, depois de muita insist\u00eancia, consegue autoriza\u00e7\u00e3o dos pais para alugar um piano. Mas seu sonho era realmente possuir um instrumento.<br \/>\nEm 1885, em homenagem ao dono do col\u00e9gio onde estudava no Rio de Janeiro, comp\u00f5em um hino ao qual d\u00e1 o nome de &#8220;Oito de Dezembro&#8221;, quando entra para a faculdade Direito em S\u00e3o Paulo, comp\u00f5em uma polca.<br \/>\n\u00c9 no per\u00edodo em que frequenta a faculdade de Direito \u00e9 que seu talento criativo explode em composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas e musicais.<br \/>\nA criatividade musical do brilhante pol\u00edtico, n\u00e3o produziu apenas musicas profanas, nem se limitou aos ledos da juventude. Era homem adulto e continuava inspirado e produtivo.<br \/>\nCompunha musicas religiosas, principalmente, muitas das quais contadas na Igreja Matriz de sua terra natal.<br \/>\nNo campo das letras, muito mais que prosador, Arnolfo Azevedo foi um poeta, Aos 16 anos, sem o conhecimento do pai, publicava poesias em &#8220;O Semin\u00e1rio&#8221;, jornal que circulava em Lorena. Pelas publica\u00e7\u00f5es o jornal cobrava, mandando as contas ao pai do autor das poesias; mas a m\u00e3e do poeta interceptava as contas, para evitar que o pai se zangasse com o filho, e secretamente as pagava.<br \/>\nNo tri\u00eanio 1887-1890, entre poesias e contos, produziu 58 trabalhos.<br \/>\nDas poesias, algumas estampadas nos jornais &#8220;Correio de Itu&#8221; e &#8220;O Patriota&#8221;, este \u00faltimo de Lorena.<br \/>\nO ano de 1888 parece ter sido o mais f\u00e9rtil. S\u00e3o desse per\u00edodo pelo menos 34 poesias, umas tr\u00e1gicas, outras rom\u00e2nticas e alguns acr\u00f3sticos. Nesse feitio de composi\u00e7\u00e3o, com muita habilidade formou interessante acr\u00f3stico entrela\u00e7ando o seu nome com o nome (este carinhosamente usando o diminutivo) de sua musa (que mais tarde seria sua esposa). Assim &#8221; AdRuNIOcLiFiOa&#8221; &#8211; Arnolfo e Dulcita.<br \/>\nDepois do ano da aboli\u00e7\u00e3o sua produ\u00e7\u00e3o decai. Sua inspira\u00e7\u00e3o decai, sua poesia retrai, s\u00f3 aparecendo esporadicamente. Como em 1929, neste ano escondido atr\u00e1s de pseud\u00f4nimos &#8220;Chove n\u00e3o Molha&#8221; &#8211; &#8220;Molha mas n\u00e3o Chove&#8221; e &#8220;N\u00e3o molha Chove&#8221;, o poeta publica em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do Lorena-Jornal, sob o t\u00edtulo de &#8220;Trovas do Carnaval&#8221; chistosas quadrilhas gracejando com pessoas da cidade. Seu anonimato era absoluto, ningu\u00e9m, nem mesmo a dire\u00e7\u00e3o do jornal, sabia que o autor da brincadeira era o respeit\u00e1vel Dr. Arnolfo Azevedo, Senador da Rep\u00fablica.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 30 o afastamento da Pol\u00edtica, desperta em definitivo o poeta que jazia em hiberna\u00e7\u00e3o no ex-parlamentar.<br \/>\nE no remanso da vida pacata que vai levando ent\u00e3o na tranquila terra onde nascera, at\u00e9 ser vitimado por letal colapso card\u00edaco, a 14 de Janeiro de 1942, de sua pena jorravam versos em homenagem a amigos, filhos, noras e netos.<\/p>\n<p>SAUDADE<\/p>\n<p>O reboli\u00e7o, que me cerca, \u00e9 vivo;<br \/>\nPassam zunindo os autom\u00f3veis loucos;<br \/>\nBondes nos trilhos, dando guinchos roucos;<br \/>\nV\u00e3o timpanando no vai vem ativo.<\/p>\n<p>Vozes discutem, d\u00e3o risadas, gritam,<br \/>\nCantam, blasfemam, num brandar constante;<br \/>\nToca um quarteto, sem parar, ma\u00e7ante,<br \/>\nE os civis, de quando em quando apitam&#8230;<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 ruido de alegria e gozo,<br \/>\nTudo se expande, sob o c\u00e9u formoso<br \/>\nDesta encantada e colossal cidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 eu me isolo, neste triste quarto,<br \/>\nCheio de t\u00e9dio, do conv\u00edvio farto,<br \/>\nRalando todo de cruel saudade!<\/p>\n<p>Arnolfo Azevedo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O outro lado do Pol\u00edtico. \u00c9 como didin\u00e2mico Prefeito e atuante parlamentar que a mem\u00f3ria de Arnolfo Azevedo \u00e9 sempre lembrada e reverenciada. 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